A busca por unhas perfeitas levou ao crescimento explosivo de esmaltes em gel, géis de construção e alongamentos. Entretanto, alguns ingredientes usados para proporcionar durabilidade e brilho entraram na mira das autoridades por oferecer riscos à saúde. Este guia aborda as principais substâncias proibidas ou restritas em produtos para unhas, esclarecendo a legislação, os motivos das proibições e apresentando alternativas seguras para profissionais e clientes.

O que são fotoiniciadores e por que são usados nos géis de unhas

Nos sistemas de unhas em gel, que utilizam produtos como Gel de unha, Gel Base, Selante/ Top Coat e Esmaltes em Gel, os fotoiniciadores são moléculas que absorvem a energia de luz UV ou LED que são Cabines de unhas e desencadeiam reações químicas que transformam o gel de líquido em sólido. Essas substâncias asseguram uma cura rápida, camada uniforme e acabamento brilhante. No entanto, sua toxicidade potencial levou a revisões regulatórias e mudanças no setor.

TPO: o fotoiniciador que caiu e foi proibido 

O Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide (TPO) era amplamente utilizado em esmaltes em gel e géis de construção, graças à sua eficiência. Contudo, ele foi reclassificado na União Europeia como substância CMR 1B (potencialmente tóxica à reprodução). Em 2025, a UE decidiu proibir o uso, venda e distribuição de produtos contendo TPO, medida que entrou em vigor em setembro desse mesmo ano.

No Brasil, a ANVISA seguiu o exemplo europeu e incluiu o TPO na lista de ingredientes proibidos para cosméticos a partir de fevereiro de 2026. Além de impedir a fabricação e importação, a legislação brasileira exige que estoques sejam recolhidos ao final do prazo.

Por que o TPO foi proibido?

  • Toxicidade reprodutiva: estudos em animais indicaram efeitos adversos sobre fertilidade e desenvolvimento embrionário, mesmo que essas doses sejam superiores às usadas em manicures.

  • Classificação regulatória: a legislação europeia determina que substâncias classificadas como CMR 1A ou 1B não podem integrar produtos cosméticos.

  • Princípio da precaução: ainda que a exposição em unhas seja mínima, a UE optou por prevenir riscos de longo prazo, exigindo formulações alternativas.

N,N‑dimetil‑p‑toluidina (DMPT): um coadjuvante que também saiu de cena

A N,N‑dimetil‑p‑toluidina, conhecida como DMPT, atua como acelerador de cura em alguns sistemas de gel. Ela também recebeu classificação CMR 1B, mas com foco em potencial cancerígeno. Assim, a mesma regulamentação que baniu o TPO também proibiu o uso de DMPT. A legislação europeia entrou em vigor em 2025, e a ANVISA, em 2026, adotou a mesma posição.

Ftalatos: o declínio do DBP e seus substitutos

Os ftalatos, como o dibutilftalato (DBP), eram adicionados aos esmaltes para conferir flexibilidade. O DBP, porém, é ligado a problemas hormonais e toxidade reprodutiva. A União Europeia proibiu o DBP em 2004, dando origem aos esmaltes “3-Free” (livres de DBP, tolueno e formaldeído).




Apesar da proibição, ainda há risco de rotulagem irregular. Além disso, o DBP foi substituído em alguns produtos pelo trifenil fosfato (TPHP), um disruptor endócrino. Uma opção mais segura é o citrato de acetil tributila (ATBC), que confere flexibilidade sem os efeitos hormonais.

Tolueno: solvente em desuso por segurança

O tolueno foi, por muito tempo, o solvente responsável por manter a consistência e o brilho dos esmaltes tradicionais. Porém, ele está associado a danos no sistema nervoso, efeitos respiratórios e toxicidade reprodutiva. Após restrições ambientais, como as do estado da Califórnia na década de 1990, seu uso reduziu drasticamente. Atualmente, muitas marcas evitam o tolueno, mas ele pode ainda aparecer em produtos de baixa qualidade.

Formaldeído: restrito, não banido

Utilizado em endurecedores de unhas, o formaldeído é classificado como carcinogênico. A UE não o baniu totalmente, mas limitou sua concentração a 2,2 % em endurecedores de unhas. Produtos com formaldeído precisam trazer avisos de risco de alergia e ser de uso profissional.

HEMA e di‑HEMA: atenção para sensibilização

O 2-hidroxietil metacrilato (HEMA) e o di‑HEMA trimetil‑hexil dicabamato são monômeros usados em géis construtores e esmaltes em gel. Sua natureza altamente reativa aumenta o risco de alergias de contato quando entram em contato com a pele.

Desde 2021, a União Europeia restringiu esses ingredientes a produtos de uso profissional. As embalagens devem incluir alertas como “Para uso profissional” e “Pode causar reação alérgica”, e os produtos devem ser aplicados apenas sobre a placa ungueal, nunca em contato direto com a pele.

Metacrilato de Metila (MMA): proibido em muitos estados norte-americanos

O metacrilato de metila (MMA) confere alta resistência às unhas esculpidas, mas está ligado a reações alérgicas intensas e danos permanentes à unha natural. O FDA proibiu o uso de MMA puro (100 %) em cosméticos desde 1974, e hoje pelo menos 32 estados dos EUA banem seu uso profissional.

Metais pesados e outros ingredientes proibidos

Esmaltes e géis podem conter traços de metais pesados como chumbo, cádmio, mercúrio, arsênio e níquel, todos proibidos pela UE devido a efeitos neurotóxicos e mutagênicos. Outras substâncias recentemente banidas incluem compostos bromados como tetrabromobisfenol A e bisfenol AF, além de algumas “reaction masses” usadas em fotoiniciação.

Como a legislação regula esses ingredientes

A Regulamentação de Cosméticos da União Europeia (Regulamento 1223/2009) é considerada uma das mais rigorosas do mundo. Toda substância classificada como CMR 1A ou 1B é automaticamente banida, a menos que se prove segurança e falta de alternativas. No caso de TPO e DMPT, estudos em animais e a existência de outros fotoiniciadores seguros motivaram a inclusão na lista de proibidos.

No Brasil, a ANVISA atualiza periodicamente a resolução que lista substâncias proibidas e restritas. A harmonização com a UE tem sido comum, como no caso do TPO e do DMPT. Já nos Estados Unidos, a abordagem é baseada em risco, o que explica por que algumas substâncias ainda são permitidas sob certas condições, cabendo aos estados regulamentar o uso de ingredientes controversos como o MMA.

Alternativas seguras e tendências na manicure

A indústria de produtos para unhas tem investido em fórmulas mais seguras. Exemplos de fotoiniciadores alternativos incluem:

  • TPO‑L (ethyl 2,4,6‑trimethylbenzoyl phenylphosphinate);

  • Fenil bis(2,4,6‑trimetilbenzoyl) fosfina óxido (BAPO);

  • Hidroxiciclo‑hexil fenil cetona e outros peróxidos fotoluminescentes;

  • Sistemas sem HEMA, baseados em oligômeros hipoalergênicos.

Ao buscar produtos para o salão ou uso pessoal, dê preferência a marcas que se posicionam como livres de TPO, DMPT, HEMA, metacrilato de metila e ftalatos. Verifique se a empresa possui registros na ANVISA ou certificações internacionais, pois isso sinaliza comprometimento com a segurança.
Algumas empresas já seguiam rigorosamente o uso de substâncias tóxicas em seus produtos e agora as que tinham estes componentes em seus produtos já estão regulamentando e sempre de forma clara e transparente para os usuários de seus produtos. Veja algumas empresas Regulamentadas já.

 

Dicas para profissionais e consumidores

  • Leia os rótulos: ingredientes como “diphenyl(2,4,6-trimethylbenzoyl)phosphine oxide”, “N,N-dimethyl-p-toluidine” ou “HEMA” indicam a presença de substâncias problemáticas.

  • Use equipamentos de proteção: manicures devem usar luvas nitrílicas e máscaras, além de manter o ambiente ventilado para reduzir a exposição a vapores e partículas.

  • Capacitação contínua: atualize-se sobre novas legislações e técnicas de aplicação, garantindo procedimentos seguros e profissionais.

  • Escolha fornecedores confiáveis: marcas que investem em pesquisa e desenvolvimento tendem a entregar produtos mais seguros e alinhados às normas.

  • Crianças menores de 3 anos não devem usar esmaltes tradicionais: podem conter substâncias que causam alergias, irritações e riscos à saúde.
    Para quem deseja brincar com cores de forma segura, existem esmaltes à base de água, desenvolvidos especialmente para crianças, que saem facilmente com água e sabão, sem necessidade de removedores químicos.

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Conclusão

A crescente preocupação com a saúde e a segurança levou à proibição de substâncias como TPO e DMPT em géis de unhas e esmaltes, evidenciando a necessidade de maior transparência e responsabilidade na indústria. Ainda que algumas substâncias controversas permaneçam permitidas sob restrições, o movimento global aponta para formulações mais seguras e sustentáveis. Profissionais de manicure e consumidores devem manter-se informados, escolher produtos livres de ingredientes de risco e adotar práticas que minimizem a exposição. Ao investir em alternativas seguras e em educação continuada, você protege a saúde de suas clientes e contribui para um mercado de beleza mais ético e saudável.

 

Escrito por:
🖋️ Marina do Couto Rosa Torres Galhardo
Esteticista Cosmetóloga e CEO da Belezeira